PN. Reze para não encontrar, roque para ultrapassar

O que me deixou chocado foi descobrir que apesar de se ter um contrato com o governo, em nenhum momento, eu vi um fiscal, ou alguém da ANTT zelando pelo cumprimento desde contrato. Por isso o abuso, por isso a palavra do arrendatário, vale mais que as Leis.

Então nesta hora de antecipação para a renovação da concessão ferroviária de carga, quem deveria fiscalizar só elogia, mas lá fora quem sofre no dia a dia, nem sabe que se pode reclamar para minimizar os abusos contratuais.

Comecei mostrando o compartilhamento entre o trem de carga, e o trem de passageiros, nas linhas da CPTM de São Paulo, com base na Lei Federal 18932/96, que regulamenta o transporte ferroviário, eles dizem que isso é proibido para o resto do Brasil. Depois mostramos a sujeira do pó de minério, que além de trazer problemas respiratórios para a população, em uma entrevista com o Dep. Federal General Peternelli, ele falou do prejuízo financeiro que é para o País. E agora mostro as passagens de nível, só que as denúncias não param por aí, depois do carnaval elas continuam, o abuso é grande.

Em 2015 iniciei o acompanhamento do problema ferroviário, primeiro foi a visita de então secretário de transportes, a estação de Saracuruna, havia algo no ar, ele visitou prometeu, e nada mudou, era apenas mais um candidato à prefeitura do Rio, resolver os problemas não era a meta, o objetivo era conquistar votos, coisa que acabou não acontecendo. Dali comecei a acompanhar os grupos que lutavam pelo transporte ferroviário, até que fui na audiência pública do PIL no Rio, e nela ouvi, vamos renovar, eles não pagaram a multa, eles erraram em alguns pontos, mas merecem renovar, vamos renovar dizia a autoridade, como se tudo que acontece de errado fosse algo normal. Na hora em que pude falar, pedi respeito ao dinheiro público, reclamei do descaso das autoridades com a coisa pública. E ainda cobrei do secretário de transportes, que o traçado da linha EF 118, em Duque de Caxias, vai prejudicar muita gente.

O tempo passou, e eu estive em diversos locais, meu objetivo era mostrar que eles nada fazem para merecer a renovação da concessão, mas não posso ser radical, aceito a renovação, mas exijo o cumprimento das Leis. Inclusive a Lei 1832/96, com a volta do Trem Barrinha, criação de uma linha entre Engenheiro Passos até Barra do Piraí, e que os ramais de Guapimirim, e Saracuruna, não sejam desativados, para dar passagem ao trem de carga.

Mas a matéria é sobre as passagens de nível, algo que é tratado por eles como uma coisa diferente em cada município. Dependendo do local, as PN têm sinal, ou não tem nada, e cada um se vira como pode, não importa se gente pode até morrer. Não se gasta nada para melhorar, mas o lucro deles vem em primeiro lugar. Inclusive notícia vinculada na mídia ontem, mostrava que apesar da diminuição da exploração do minério no quadrilátero ferrífero de Minas, por causa da possibilidade de mais rompimentos de barragens, a arrecadação de royalties do minério, em 2019, deu um grande salto, com um aumento significativo. Mudança de cálculo???? Erro proposital????? Ou mais uma grande maracutaia??????

Vejam como estão nossas passagens de nível, PN, e digam se eles merecem renovar seus contratos……..

O certo era ter arrendado para operadoras, elas têm a obrigação de dar total manutenção as linhas, e permitir a passagem de todo tipo de trem, e não transportadoras, que estão presas aos produtos que transportam, e abandonaram diversas linhas, porque sua carga não tinha necessidade de uso do ramal.

As reportagens continuam, até se ter um fim a todo tipo de descaso, por uma renovação justa, se houver, ou uma nova licitação de nossa malha ferroviária para operadoras, em vez de transportadoras.

Obs.: No Estado do Rio existem outras PNs abandonadas, como algumas da Supervia, como esta, na foto acima.

Carlos Senna Jr

MTB 32447/RJ

carlossennajrjornalista@gmail.com


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